Otários a metro

Acho que nunca andei de Metro sozinha e, mesmo acompanhada, há que séculos não o fazia. Sexta-feira teve que ser e foi uma odisséia. Sou fiel à teoria de que as mulheres não sabem interpretar mapas e a complicação começou com uma nota de dez e cabines sem troco. Acreditem que tive que sair da estação e recorrer aos préstimos de um arrumador para conseguir moedas para comprar o bilhete, pela generosa troca de dá cá os dez e toma lá nove. Sobre o resto das confusões, nem me vou alongar...
O melhor do Metro é o povo, aliás, o povo é sempre o melhor de tudo!
Sentei-me de frente para um casal: ela, lindíssima, cabelo negro, olhos amendoados, vinte e poucos anos, ele, perto, pertinho do cinquenta, mãos entrelaçadas, olhos de carneiro mal morto.
Ela: Tou dizendo: há 200 anos atrás você teria ido no Brasiu para me escravizar. Agora vim eu aqui para escravizar você.
Ele: E eu gosto, eu deixo. Podes escravizar-me à vontade, faço tudo o que mandares, amor.
Ela: Então vira aqui e me dá um beijo, já, já!
O diálogo continuou interessante, mas já não sou capaz de reproduzi-lo com fidelidade. Algo sobre sentir muitas saudades de mamãe e terem que dar um jeito de ela vir para o casamento e mais uns beijinhos no pescoço.
O amor é lindo, otário!
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