Presente de Deus

Foi em Setembro, há pelo menos três Setembros atrás. Ela estava feliz, tinha finalmente conseguido entrar numa lista para adopção nacional. Parece mais difícil para pais/mães solteiros, mas ninguém o diz assim, explicitamente.
Submeteu-se a tudo, de avaliações psicológicas a visitas de Assistentes Sociais para verificar se tinha alojamento condigno para a criança (já tenho três, biológicos, e não me lembro de alguma vez ter passado por nada disso... e algumas famílias bem precisariam...), de reuniões com futuros "adoptandos" a sei lá o que mais, muitas coisas mais. O tempo a arrastar-se e não há criancinhas neste país em condições de serem legalmente adoptadas (?), portanto espera-se. Elas por pais, quem quer adoptar, por filhos.
Então e que tipo de criança quer? Sexo, até que idade, tipo físico. Uma criança, senhores. Uma criança que precise de mãe, pode ser?
É pedir muito!
Valha-nos a adopção internacional, por via legal, que parece que funciona e muito bem.
Ser mãe biológica pode ser um acto de amor ou um acidente de percurso. Ser mãe adoptiva é certamente só um acto de amor, pelo menos quando falamos de pessoas com a tenacidade dela, com todo o amor, disponibilidade e rectidão de carácter que ela tem para dar.
Porque ela é linda, está para chegar o seu presente de Deus. Após tantos revézes, ela espera, cabeça nas nuvens, coração aos saltos, muitos planos, mil providências a tomar.
E eu, que aprendi mais uma preciosa lição sobre amor ao próximo, estou feliz. Por ela, que vê um sonho a concretizar-se e pelo bebé, que vai ter uma mãe que lutou de alma e coração pelo seu direito à maternidade, pelo direito a torná-lo filho dela.
Tens cá uma sorte, bebé!
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