segunda-feira, outubro 01, 2007

Presente de Deus


Foi em Setembro, há pelo menos três Setembros atrás. Ela estava feliz, tinha finalmente conseguido entrar numa lista para adopção nacional. Parece mais difícil para pais/mães solteiros, mas ninguém o diz assim, explicitamente.
Submeteu-se a tudo, de avaliações psicológicas a visitas de Assistentes Sociais para verificar se tinha alojamento condigno para a criança (já tenho três, biológicos, e não me lembro de alguma vez ter passado por nada disso... e algumas famílias bem precisariam...), de reuniões com futuros "adoptandos" a sei lá o que mais, muitas coisas mais. O tempo a arrastar-se e não há criancinhas neste país em condições de serem legalmente adoptadas (?), portanto espera-se. Elas por pais, quem quer adoptar, por filhos.
Então e que tipo de criança quer? Sexo, até que idade, tipo físico. Uma criança, senhores. Uma criança que precise de mãe, pode ser?
É pedir muito!
Valha-nos a adopção internacional, por via legal, que parece que funciona e muito bem.
Ser mãe biológica pode ser um acto de amor ou um acidente de percurso. Ser mãe adoptiva é certamente só um acto de amor, pelo menos quando falamos de pessoas com a tenacidade dela, com todo o amor, disponibilidade e rectidão de carácter que ela tem para dar.
Porque ela é linda, está para chegar o seu presente de Deus. Após tantos revézes, ela espera, cabeça nas nuvens, coração aos saltos, muitos planos, mil providências a tomar.
E eu, que aprendi mais uma preciosa lição sobre amor ao próximo, estou feliz. Por ela, que vê um sonho a concretizar-se e pelo bebé, que vai ter uma mãe que lutou de alma e coração pelo seu direito à maternidade, pelo direito a torná-lo filho dela.
Tens cá uma sorte, bebé!

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